A desped(ida) da dor

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Fazendo as malas para uma nova viagem, tento encontrar a lista do que não podia esquecer. Sou tão desajeitada e confusa que nem consigo entender o que sinto aqui dentro. Parece estar me sufocando e o único jeito de me livrar disso é indo pra bem longe. Um recomeço, uma nova tentativa de ser feliz. Lutar pelos meus sonhos e realizá-los. Sem que ninguém me impeça e nem diga que não vou conseguir. Me deito na cama e o sono não vem. Uma mistura de ansiedade com nervosismo. No fundo estou um pouco insegura por ir para um lugar desconhecido até então. Imagino como será minha vida daqui pra frente, mas continuo vivendo o passado. Me lembro de você toda vez que me olho no espelho, é surreal. Nossa relação durou bastante tempo sim, porém isso não quer dizer tanta coisa. O tempo voa e junto com ele as pessoas vão se distanciando cada vez mais. Como pode um sentimento tão forte ter um fim? Talvez porque esse amor não tenha sido regado constantemente. Só sei me lamentar.

As horas passam e eu continuo olhando para o teto do quarto. E as malas, ainda nem terminei. Poderia ser assim com a vida também, colocar todos os sentimentos ruins dentro de uma mala e jogá-la no meio do nada, para que aquilo nunca seja desvendado. Entretanto, a realidade é diferente. As pessoas tem que conviver tanto com as partes boas da vida, quanto com as ruins. Pretendo não me lamentar mais, afinal tudo tem um lado bom, nada acontece por acaso. Disso surgirá um grande aprendizado, o melhor ainda está por vir e virá pra ficar.

Levanto da cama rapidamente, abro as malas e começo a jogar as roupas para o alto como uma louca. Talvez eu seja, sim, mas não vejo o lado bom tendo que fugir. Ficarei aqui, nem mais um passo. Enfrentarei o que for para ter a minha liberdade de volta, e não é fugindo que vou conseguir. Vamos, encare isso de frente, com coragem, diga o que pensa e se liberte. Pare de pensar que a vida não vai melhorar, você vai sair desse buraco, acredite. Tudo em que se acredita e se quer de verdade, se realiza. Se olhe no espelho! Veja, não tem ninguém! Era tudo fantasia, pra tentar diminuir a dor, né? Mas tenho certeza que só aumentou. E você não se libertaria disso nem se estivesse fugido, só depende você, de uma atitude. E todas essas fantasias irão sumir.

O dia amanheceu e estava na hora de arrumar a bagunça que fiz, peça por peça. Fui caminhando até o guarda-roupa e colocando tudo no lugar, inclusive a minha cabeça. A partir daquele momento decidi pensar mais no amor próprio, a minha felicidade não depende dos outros. De repente vi melhor as belezas da vida. O desabrochar das rosas, os campos mais verdes e as pessoas que não se foram com o tempo. Fiquei em paz, e enfim, adormeci.

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